Responsáveis por uma série de prejuízos à agricultura, à pecuária e à saúde humana, os roedores urbanos são considerados, sem dúvida, uma das mais importantes pragas ao longo da história.

Biologicamente noturnos e sinantrópicos por excelência, as ratazanas ou ratos de esgoto (Rattus norvegicus), os ratos de telhado (Rattus rattus) e os camundongos (Mus musculus) acompanham o homem, desde que este se fixou no ambiente, implantou a agricultura e desenvolveu a pecuária.

Encontrando condições básicas para sobrevivência, essas três espécies costumam conviver harmonicamente numa edificação urbana.

Os elementos necessários para sustentar uma população de roedores são: alimento, água e abrigo. Todos eles são encontrados com facilidade nos grandes centros urbanos, principalmente em cidades onde a infraestrutura sanitária e educacional não corresponde às necessidades de seus habitantes.

O alimento pode ser encontrado no lixo ou em locais de estocagem. A água pode ser obtida de forma livre ou retirada do próprio alimento úmido e o abrigo é fornecido. Os abrigos são abundantes, podendo ocorrer em jardins, montes de entulhos, barrancos de rios e canais, espaços entre paredes, vãos de mobiliários, forros, entre gêneros alimentícios, etc.

As ratazanas representam os roedores urbanos mais conhecidos. Têm hábitos noturnos, são sedentárias e apresentam comportamento agressivo, quando acuadas. Normalmente vivem nas áreas externas das edificações.

Abrigam-se em tocas (ninheiras) e galerias que cavam sob as fundações dos edifícios, em depósitos de lixo, nos jardins, à beira de córregos ou valas. A rede de esgoto ou de escoamento pluvial também serve como abrigo para estes roedores e, principalmente, como vias de acesso ao interior das edificações. Nas residências, abrigam-se entre pisos e paredes, nos espaços mortos de armários, porões, etc.

Possuem hábitos semi-aquáticos e são excelentes nadadoras. Alimentam-se preferencialmente de peixes, carnes e cereais. Dificilmente ficam abrigadas em locais com distância superior a 45 m da fonte de alimento.

Os ratos de telhado ainda preservam seus instintos silvestres tendo preferência pela construção de abrigos nas partes altas das edificações e, por esta razão, são também conhecidos como ratos de forro. São esbeltos e possuem locomoção rápida, segura e equilibrada por fios elétricos e de telefonia, associando-os aos ramos do arboredo do seu ambiente original. Seus ninhos são menos expostos e de difícil visualização. São onívoros, preferindo frutas, legumes e cereais. Dificilmente abrigam-se em locais com distância superior a 40 m da fonte de alimento.

Os camundongos são essencialmente domésticos, buscando no interior dos fogões, armários, sofás e outras peças do mobiliário humano, o local ideal para abrigo e construção de seus ninhos. Como os demais roedores urbanos, são onívoros e têm preferência alimentar por cereais e substâncias adocicadas.

A importância dos roedores urbanos em Saúde Pública está vinculada às conhecidas doenças transmitidas ao homem, destacando-se: leptospirose, salmonelose, hantavirose, peste, além de sarna e micoses.
 

Medidas corretivas ou preventivas
 Limpar diariamente, antes do anoitecer, os locais de refeições e preparo de alimentos.
 Recolher os restos alimentares em recipientes adequados, preferencialmente, sacos plásticos, que deverão ser fechados e recolhidos pelo serviço de coleta urbana.
 Colocar sacos, fardos e caixas sobre estrados com altura mínima de 40 cm, afastados uns dos outros e das paredes, deixando espaçamentos que permitam uma inspeção em todos os lados.
 Não acumular objetos inúteis ou em desuso.
 Não utilizar terrenos baldios ou outras áreas a céu aberto para vazamento de lixo.
 Manter ralos e tampas de bueiros firmemente encaixados.
 Remover e não permitir que sejam feitos amontoados de restos de construções, lixo, galhos, troncos ou pedras.
 Vistoriar carga e descarga de mercadorias para evitar o transporte passivo de camundongos.
 Manter armários e depósitos arrumados, sem objetos amontoados.
 Buracos e vãos entre telhas devem ser vedados com argamassa adequada.
 Não deixar encostados em muros e paredes objetos que facilitem o acesso de roedores.
 Eliminar ou proteger as fontes de água: fossos, valas, poças estagnadas, poços, caixas d`água e outros reservatórios.
 Colocar telas removíveis em aberturas de aeração, entradas de condutores de eletricidade ou vãos de adutores de qualquer natureza.
 Manter a área externa das edificações limpa, sem entulhos ou materiais empilhados (madeiras, canos, telhas).
 Cortar o mato e aparar a grama e podar galhos de árvores que se projetem sobre a construção.
 

Sobre os serviços prestados
A infestação por roedores urbanos está associada principalmente à disponibilidade de alimentos e condições de abrigo. As ações de controle somente alcançarão o sucesso desejado com a adoção de medidas de natureza preventiva e corretiva.

Inicialmente a empresa prestadora de serviços deverá realizar a identificação da espécie de roedor urbano que infesta o local e, se possível, avaliar quantitativamente a população estabelecida no local, informando ao cliente um cenário de infestação, classificando-a como baixa, média ou alta. A determinação do nível da infestação irá auxiliar no dimensionamento do controle que deverá ser realizado.

O controle químico consiste na utilização de substâncias anticoagulantes, incorporadas a iscas que são oferecidas em locais de trânsito ou de abrigo dos roedores. Os raticidas anticoagulantes são apresentados na forma de pó de contato, iscas granuladas, bastante atrativas e blocos parafinados, recomendado para utilização em áreas úmidas. As iscas raticidas deverão ser aplicadas em porta-iscas para proteção das intempéries e minimização de riscos de acidentes com pessoas e animais.

O monitoramento dos porta-iscas deverá ocorrer em intervalos regulares de 7 a 15 dias, enquanto forem observadas evidências de roedores.

A empresa responsável serviço deverá fornecer aos clientes toda a orientação necessária sobre possíveis fontes de alimento e condições de favorecimento ao abrigo que o ambiente esteja oferecendo aos roedores. .

Orienta-se que no Estado do Rio de Janeiro, a prestação de serviços de controle de roedores somente poderá ser realizada por empresas licenciadas pelo Inea e que após a realização desses serviços deverá ser concedido ao cliente um documento denominado Comprovante de Execução de Serviços, constando o nome do responsável técnico da empresa prestadora de serviços, apresentando informações sobre os raticidas utilizados, contendo sugestões de medidas preventivas ou corretivas visando a melhoria das condições ambientais.